Nas festividades e especialmente nas feiras livres era comum encontrar aqueles três Lamas conhecidos como os Mestres da Gargalhada. De repente se punham a gargalhar sem parar, e todos, mesmo quem estivesse concentrado em afazeres importantes, parava de pensar e se punha a gargalhar também. Era contagiante. A alegria passava a tomar conta de todas os presentes. E para aquelas pessoas o dia se tornava uma dádiva. Voltavam para suas casas agradecidas por aqueles três velhos Lamas, pedindo a Deus que os abençoassem.
Próximo de sua morte e consciente dela, um dos Lamas pediu aos outros dois que quando morresse queria ser cremado com as mesmas roupas com as quais estivesse vestido, que suas roupas não fossem trocadas.
Foi assim que após alguns dias aconteceu o desenlace. E o velho e querido Lama foi acompanhado em seu cortejo fúnebre por todos os habitantes da cidade e das redondezas. Foi preparada uma pira crematória, onde seu corpo foi depositado com suas mesmas e intactas roupas, assim como pedira.
Eis que após as orações de despedida os dois Lamas amigos atearam fogo ao corpo do velho Lama. No mesmo instante, fogos de artifício começaram a pipocar no ar, vindos do corpo em chamas.
O Mestre havia dado sua derradeira gargalhada. Tinha escondido em suas roupas os fogos de artifício para o desfecho final.
E claro todos começaram a rir muito e também a agradecer, e a chorar...


