Cada um percebe apenas o que conhece
Dentro de um Mosteiro Budista, certa vez um jovem candidato a monge pediu ao monge responsável pelo Mosteiro que o submetesse a um teste, pois queria tornar-se monge. Esse é um antigo costume nos mosteiros da China. O teste normalmente consiste em um diálogo entre o candidato e um monge residente, caso o candidato supere o monge residente ou a ele se equipare, então é aceito.
Dessa maneira o Monge Superior mandou chamar o mais novo monge residente, que era caolho, para debater com o candidato. Para surpresa, o Monge Superior pediu para que os dois ficassem sentados um frente ao outro e que o debate fosse sem palavras, e que ficassem sozinhos. Ao terminar de apresentar as regras saiu e fechou a porta deixando os dois frente a frente.
O candidato iniciou o “diálogo” levantando o braço com a mão em punho, apenas com o dedo indicador apontado para o alto.
Imediatamente o monge caolho respondeu levantando o braço com a mão em punho e com dois dedos apontados para o alto.
O candidato esperou um pouco, repensou e replicou levantando o braço com a mão em punho, e agora com três dedos apontados para o alto.
Imediata foi a resposta do monge caolho encerrando o diálogo. Ele abriu a mão e a fechou rapidamente, trazendo o braço para seu peito.
Os dois se levantaram, inclinaram suas cabeças cumprimentando-se e se retiraram.
O candidato dirigiu-se ao Monge Superior e lhe disse:
— Infelizmente hoje não foi um bom dia para mim, perdi.
— Mas o que houve? Perguntou o Monge.
— Apontei-lhe o dedo indicador querendo dizer que o Buda é Único. E o monge caolho me respondeu apontando-me dois dedos e me dizendo que iluminados são o Buda e seus Discípulos. Assim pensei bem e respondi apontando-lhe três dedos e lhe dizendo que iluminados são o Buda, seus Discípulos e o Caminho. E ele encerrando o encontro fechou rapidamente a mão indicando que Os Três são Um. Ele venceu, voltarei quando estiver mais bem preparado. E beijando a mão do Monge Superior foi embora.
Nisso o monge caolho se apresenta esbaforido ao Monge Superior, e lhe diz:
— Esse candidato é realmente estúpido.
— O que houve? Perguntou o Monge.
— Imagine que ele me apontou o dedo indicador, dizendo-me que eu tinha apenas um olho! Imediatamente e querendo ser polido, apontei-lhe dois dedos dizendo-lhe que ele tinha dois olhos. E ele muito estúpido apontou-me três dedos dizendo-me que juntos tínhamos três olhos. Então fechei a mão em punho com vontade de esganá-lo, e assim encerrei o debate.