Pular para o conteúdo

O MARINHEIRO NÁUFRAGO

É só quando o rio deságua no mar que pode então compreender que nunca foi rio.
1 de julho de 2026 por
Uan ॐ Tamirá
| Nenhum comentário ainda

          ​Um marinheiro encontrou-se acordando de um sono exaustivo, deitado nas areias da praia de uma ilha perdida no meio do Oceano. Ao dar-se conta de que havia naufragado e que provavelmente apenas ele sobrevivera, ajoelhou-se humildemente e agradeceu a Deus com todo seu coração. Ao terminar sua prece elevou os olhos em direção à ilha, e ao ver árvores e pássaros, reparou que um bando de pequenos macacos comia frutos de uma determinada árvore. Pensou imediatamente: Como Deus é grande e maravilhoso, sempre revelando a boa guia para os que O amam. Se os macacos podem comer o fruto, eu também posso. E novamente agradeceu a Deus.

            Enquanto comia os pequenos e deliciosos frutos, pendurado na copa da árvore observou ao longe um coqueiral carregado de grandes e belos cocos, imediatamente desceu e correu em direção ao coqueiral.           Comeu, bebeu, fartou-se. E novamente agradecido, ajoelhou e orou. Foi então que algo incrível aconteceu; enquanto subia nos coqueiros, deles foram se desprendendo as folhas mais secas, e ao caírem formaram quase que uma pequena cabana, bastava apenas uma ajuda aqui e ali, e pronto, estava feita uma casinha para abrigar-se do tempo, dos animais, enfim, sentir-se protegido. E claro, agradeceu muito, mas muito, a Deus Pai Todo Poderoso. Exausto, porém com o coração em paz dormiu profundamente.

           Pela manhã ao acordar, sentiu necessidade de beber água pura e resolveu sair em sua busca. Caminhou a manhã toda, e seu esforço não foi em vão, encontrou um belo rio de águas límpidas. Bebeu, banhou-se, nadou, riu, gritou bem alto seu agradecimento a Deus. Aquela água tão pura e fria, aquele Sol tão radiante e quente, aquela areia tão fina e macia. Emocionado ajoelhou e agradeceu a Deus por uma Natureza tão exuberante e maternal, por sentir-se Sua criatura protegida e amada. Chorou e riu ao mesmo tempo.

            Ao voltar para a pequena choupana feita de folhas secas de coqueiros, viu muita fumaça vinda daquela direção. Correu para lá e se deparou com o coqueiral todo em chamas.

            Seus olhos úmidos demonstravam tristeza e indignação, e com o coração fechado falou para Deus:

            Você me abandonou. Sua proteção é falsa, vem e vai. Uma hora Você ajuda e outra abandona. Nem sei mais se Você existe mesmo... Que brincadeira é essa, sem graça alguma?

            Nesse momento ele sentiu uma mão tocar-lhe o ombro direito. Virou-se e viu um marinheiro como ele que lhe disse: Estávamos passando ao largo da ilha, quando meu capitão viu a fumaça e imediatamente me mandou vir aqui buscá-lo. Vamos embora?

Uan ॐ Tamirá 1 de julho de 2026
Compartilhar esta publicação
Faça login para deixar um comentário